<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="yes"?><rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><channel><title>Papo Econômico</title><link>https://papoeconomico.com/</link><description>Economia e política com os números verificados na fonte. Cada vídeo do Papo Econômico vira um artigo com dados, gráficos e fontes primárias.</description><language>pt-br</language><managingEditor>contato@papoeconomico.com (Papo Econômico)</managingEditor><webMaster>contato@papoeconomico.com (Papo Econômico)</webMaster><copyright>© 2026 Papo Econômico</copyright><generator>Hugo</generator><lastBuildDate>Mon, 20 Jul 2026 00:00:00 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://papoeconomico.com/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><image><url>https://papoeconomico.com/og.jpg</url><title>Papo Econômico</title><link>https://papoeconomico.com/</link></image><item><title>1971: a porta que ninguém fechou (por que salário e produtividade se separaram)</title><link>https://papoeconomico.com/artigos/1971-produtividade-salario/</link><guid isPermaLink="true">https://papoeconomico.com/artigos/1971-produtividade-salario/</guid><pubDate>Mon, 20 Jul 2026 00:00:00 +0000</pubDate><dc:creator>Papo Econômico</dc:creator><category>desigualdade</category><category>moeda</category><description>Depois que os EUA suspenderam a conversão do dólar em ouro, a produtividade disparou e o salário real ficou para trás. Os números, verificados na fonte.</description><content:encoded>&lt;p>Em &lt;strong>15 de agosto de 1971&lt;/strong>, Richard Nixon suspendeu a conversão do dólar em ouro. A moeda perdeu a âncora, e o governo ganhou uma coisa nova: a capacidade de imprimir praticamente sem limite. Não foi o fim formal do padrão-ouro (o câmbio só passou a flutuar de vez em 1973), mas foi o momento em que &lt;strong>uma porta se abriu&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>Por décadas, produtividade e salário nos Estados Unidos subiram quase juntos. O trabalhador ficava com aquilo que produzia. A partir do fim dos anos 1970, essa conta se separou, e nunca mais se juntou.&lt;/p>
&lt;figure aria-labelledby="fig1">
&lt;svg viewBox="0 0 720 360" role="img" aria-labelledby="fig1" color="#c9d6ea">
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 &lt;text x="258" y="56" fill="currentColor" font-size="14" font-weight="700">1971&lt;/text>
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 &lt;circle cx="660" cy="188" r="5" fill="#ff5d6c"/>&lt;text x="600" y="210" fill="#ff5d6c" font-size="16" font-weight="800">+33%&lt;/text>
 &lt;text x="60" y="345" fill="currentColor" font-size="13">1948&lt;/text>
 &lt;text x="628" y="345" fill="currentColor" font-size="13">2020&lt;/text>
 &lt;rect x="60" y="8" width="14" height="8" rx="4" fill="#e8b13a"/>&lt;text x="80" y="17" fill="currentColor" font-size="13">Produtividade&lt;/text>
 &lt;rect x="210" y="8" width="14" height="8" rx="4" fill="#ff5d6c"/>&lt;text x="230" y="17" fill="currentColor" font-size="13">Salário real&lt;/text>
&lt;/svg>
&lt;figcaption id="fig1">Produtividade e salário real por hora, EUA. Fonte: EPI. Desde 1979, a produtividade cresce muito mais rápido que o salário.&lt;/figcaption>
&lt;/figure>
&lt;h2 id="o-dado-que-dói">O dado que dói&lt;/h2>
&lt;p>O salário real por hora do trabalhador americano em &lt;strong>1973 era US$ 23,68&lt;/strong>. Em &lt;strong>2018&lt;/strong>, 45 anos depois, era &lt;strong>US$ 22,65&lt;/strong>. Ajustado pela inflação, ele não subiu, &lt;a href="https://www.pewresearch.org/short-reads/2018/08/07/for-most-us-workers-real-wages-have-barely-budged-for-decades/" target="_blank" rel="noopener nofollow">caiu&lt;/a>
. No mesmo período, cada trabalhador passou a produzir quase o dobro.&lt;/p>
&lt;p>Um estudo da &lt;a href="https://www.rand.org/pubs/working_papers/WRA516-1.html" target="_blank" rel="noopener nofollow">RAND&lt;/a>
 colocou número no buraco: o trabalhador mediano ganha cerca de &lt;strong>US$ 50 mil por ano&lt;/strong>. Se a renda tivesse acompanhado o crescimento da economia, seriam &lt;strong>US$ 92 mil&lt;/strong>. Sumiram cerca de US$ 42 mil por ano.&lt;/p>
&lt;h2 id="por-que-1971-importa">Por que 1971 importa&lt;/h2>
&lt;p>O fim da conversão em ouro não causou a divergência sozinho. Ele &lt;strong>abriu a porta&lt;/strong>, e as políticas das décadas seguintes andaram por ela. Moeda sem âncora significa que dinheiro novo pode ser criado sem limite. E dinheiro novo não chega igual para todo mundo: chega primeiro ao banco, depois ao dono de ativo, e por último ao trabalhador, quando o preço já subiu. É o &lt;strong>efeito Cantillon&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>Desde 1971, o dólar perdeu cerca de &lt;strong>87% do poder de compra&lt;/strong>. O trabalhador produz mais do que nunca e compra menos do que os pais compravam.&lt;/p>
&lt;p>Não é conspiração. É aritmética: quem está perto da impressora ganha; quem está longe, o trabalhador e o poupador, perde.&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O Everaldo perdeu para a economia: o Gini do Tinder e o casamento entre iguais</title><link>https://papoeconomico.com/artigos/tinder-gini-desigualdade/</link><guid isPermaLink="true">https://papoeconomico.com/artigos/tinder-gini-desigualdade/</guid><pubDate>Sat, 18 Jul 2026 00:00:00 +0000</pubDate><dc:creator>Papo Econômico</dc:creator><category>desigualdade</category><description>Um cara pagou R$ 114 no Tinder e teve zero match. O problema não é o app: é o mercado mais desigual que existe, e um paper do Fed ajuda a entender por quê.</description><content:encoded>&lt;p>Um cara pagou R$ 114 no Tinder, mandou 20 super likes e não deu um único match. Ele jura que o aplicativo está quebrado. O nome dele é Everaldo: 40 anos, 1,80m, fala dois idiomas, pedagogo, gestor de logística. No papel, um bom partido. Na prática, zero match.&lt;/p>
&lt;p>Mas o aplicativo não está quebrado, Everaldo. Está funcionando. Perfeitamente.&lt;/p>
&lt;h2 id="o-mercado-mais-desigual-que-existe">O mercado mais desigual que existe&lt;/h2>
&lt;p>O mercado dos aplicativos de namoro é o mais concentrado que se tem notícia. Um estudo mediu os likes do Tinder com o coeficiente de Gini, o índice de desigualdade (0 é todo mundo igual, 1 é uma pessoa sozinha com tudo). Os likes deram &lt;strong>0,58&lt;/strong>. Só que atenção: isso é desigualdade de &lt;strong>atratividade&lt;/strong>, de likes, não de renda.&lt;/p>
&lt;figure aria-labelledby="fig1">
&lt;svg viewBox="0 0 720 210" role="img" aria-labelledby="fig1" color="#c9d6ea">
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 &lt;text x="60" y="158" fill="currentColor" font-size="15">0 · igualdade&lt;/text>
 &lt;text x="660" y="158" fill="currentColor" font-size="15" text-anchor="end">1 · concentração total&lt;/text>
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 &lt;text x="294" y="98" fill="#7fa8d8" font-size="16" font-weight="700" text-anchor="middle">renda dos EUA ~0,39&lt;/text>
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 &lt;text x="408" y="188" fill="#e8b13a" font-size="18" font-weight="800" text-anchor="middle">likes do Tinder 0,58&lt;/text>
&lt;/svg>
&lt;figcaption id="fig1">Coeficiente de Gini: os likes do Tinder são mais concentrados que a renda dos EUA. Fonte: Worst-Online-Dater.&lt;/figcaption>
&lt;/figure>
&lt;p>Na fila da atratividade, os 80% de baixo dos homens disputam os 22% de baixo das mulheres. O homem mediano é curtido por 1 em cada 115. O Everaldo não é exceção. É a estatística.&lt;/p>
&lt;h2 id="onde-entra-o-federal-reserve">Onde entra o Federal Reserve&lt;/h2>
&lt;p>Os bancos do Fed de Dallas e de St. Louis publicaram um paper sobre quem casa com quem. A estimativa assusta: o casamento entre iguais, o &lt;strong>matching assortativo&lt;/strong>, explica cerca de &lt;strong>metade&lt;/strong> do aumento da desigualdade de renda dos EUA entre 1980 e 2020. Educação com educação pesa 35%; skill com skill, 30%. Só isso somou 3 pontos no Gini americano.&lt;/p>
&lt;p>E o que é um aplicativo de namoro, se não a máquina perfeita para isso? Você filtra por diploma, renda e altura antes do primeiro &amp;ldquo;oi&amp;rdquo;. Médico dá match com médica, advogado com advogada. A mobilidade entre classes, no mercado do amor, caiu.&lt;/p>
&lt;h2 id="o-que-o-paper-não-diz">O que o paper NÃO diz&lt;/h2>
&lt;p>Aqui entra a parte que a maioria das manchetes erra: &lt;strong>o Fed não diz que o aplicativo causou essa desigualdade&lt;/strong>. O paper rejeita explicitamente o namoro online como motor (o sorting quase não mudou entre 2008 e 2021, apesar do uso em massa dos apps). O que puxa a conta é outra coisa: mais mulheres com diploma e no mercado de trabalho.&lt;/p>
&lt;p>Ou seja: o app não inventou o casamento entre iguais. Ele só deu esteroide, transformou &amp;ldquo;casa com igual&amp;rdquo; em algoritmo. Metade dessa desigualdade não veio do mercado. Veio do altar, da escolha mais livre que existe: com quem você casa. E isso, nenhum imposto redistribui.&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Venezuela x Argentina: dois vizinhos, escolhas opostas, resultados opostos</title><link>https://papoeconomico.com/artigos/venezuela-vs-argentina/</link><guid isPermaLink="true">https://papoeconomico.com/artigos/venezuela-vs-argentina/</guid><pubDate>Thu, 16 Jul 2026 00:00:00 +0000</pubDate><dc:creator>Papo Econômico</dc:creator><category>inflação</category><category>moeda</category><description>Um país imprimiu dinheiro e controlou preços. O outro cortou gasto e ajustou as contas. A inflação de cada um conta o resto da história.</description><content:encoded>&lt;p>Dois países vizinhos, duas escolhas opostas, dois resultados que falam sozinhos.&lt;/p>
&lt;p>De um lado, a Venezuela: estatizou, controlou os preços e ligou a impressora de dinheiro. O resultado apareceu no bolso. A inflação passou de 600% ao ano (611% em abril de 2026, segundo o Banco Central da Venezuela). Na prática, R$ 100 viram menos de R$ 15 em doze meses. O salário do trabalhador simplesmente derrete.&lt;/p>
&lt;figure aria-labelledby="fig1">
&lt;svg viewBox="0 0 720 300" role="img" aria-labelledby="fig1" color="#c9d6ea">
 &lt;text x="180" y="60" fill="currentColor" font-size="24" font-weight="700" text-anchor="middle">Venezuela&lt;/text>
 &lt;text x="180" y="150" fill="#ff5d6c" font-size="76" font-weight="900" text-anchor="middle">611%&lt;/text>
 &lt;text x="180" y="188" fill="currentColor" font-size="20" text-anchor="middle">ao ano (inflação)&lt;/text>
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 &lt;text x="540" y="60" fill="currentColor" font-size="24" font-weight="700" text-anchor="middle">Argentina&lt;/text>
 &lt;text x="540" y="150" fill="#4ecb8d" font-size="76" font-weight="900" text-anchor="middle">2,1%&lt;/text>
 &lt;text x="540" y="188" fill="currentColor" font-size="20" text-anchor="middle">ao mês (inflação)&lt;/text>
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&lt;/svg>
&lt;figcaption id="fig1">Inflação da Venezuela (ao ano) e da Argentina (ao mês) em 2026. Fontes: BCV e INDEC.&lt;/figcaption>
&lt;/figure>
&lt;p>Do outro lado, a Argentina de Milei fez exatamente o contrário: cortou gasto, ajustou as contas e levou crítica da imprensa todo dia. A inflação mensal caiu de 3,4% em março para 2,1% em maio de 2026 (INDEC), a menor em anos, e seguia desacelerando.&lt;/p>
&lt;h2 id="a-conta-não-é-ideologia">A conta não é ideologia&lt;/h2>
&lt;p>Um imprimiu dinheiro para &amp;ldquo;ajudar o povo&amp;rdquo; e quebrou o povo. O outro cortou na própria carne, engoliu a crítica e está botando a inflação no chão. Não é questão de ideologia, é aritmética: controle de preço e impressora não derrotam a inflação. Disciplina fiscal derrota.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto ainda tem quem defenda a receita venezuelana por aqui, os números do outro lado da fronteira falam por si.&lt;/p></content:encoded></item></channel></rss>